
Memórias de uma Gueixa é ficção. Escrita por um homem.
Interessante ver o desenho da alma feminina feito por um homem que possui um domínio consistente da cultura japonesa. Apesar de que fazer carreira e construir a vida na arte de entreter os homens não me parece tão distante assim. De alguma forma somos todas gueixas ocidentais pautando nossas vidas e baseando nosso afeto na nossa capacidade de atrair, agradar e seduzir.
Adorei encontrar doçura, garra, sensibilidade, inteligência e beleza na deliciosa Sayuri. Adoraria ainda mais ter visto uma pitada maior de crueldade na mocinha. Afinal, vingança é out, concordo, consome tempo, gasta a beleza e faz mal à cútis, mas todo ser humano tem direito a uma dose de puro deleite diante do sofrimento de seus algozes. Acho até que o direito ao IHÚÚ tinha que ser assegurado pela constituição. Tem coisas que nem gueixa agüenta quietinha, lady e superior. E a alma feminina, quando ferida, meus amores, destila fel e veneno. Nem vem.
Portanto, delicioso o romance. Mas é a leitura de uma alma feminina atendendo maravilhosamente bem ao ideal masculino. Como convém a uma gueixa. Da boca pra fora.




















