Admito que a palavra coerente seja mais adequada que honesto, mas não resisti à provocação.
Feliciano já demonstrou toda a abjeção de seu caráter em palavra escrita, declamada e cantada e dele todos sabemos o que esperar.
Já Marina Silva prefere posar de Suiça Comportamental toda vez que é argüida sobre questões como aborto e casamento gay.
Todos sabemos de sua fé, direito fundamental e privado, e a pergunta nunca é sobre sua opinião pessoal. Quem se propõe a um cargo executivo deve saber, e imagino que ela saiba, que suas opiniões pessoais não devem pautar suas decisões num governo democrático. Sendo assim, o interesse contido nas perguntas é de ordem pública e não privada.
Entretanto, em mais de uma ocasião, vi Marina Silva dizer que vai "consultar a sociedade" sobre essas questões.
Esse é um posicionamento canalha e covarde por vários motivos.
Primeiro, que nós já sabemos o que a maioria pensa e governo democrático é diferente de governo da maioria. Governo democrático é eleito pela maioria para defender direitos de todos. Inclusive das minorias.
Portanto, outorgar a uma consulta à sociedade a responsabilidade de decidir sobre questões individuais é covarde.
Segundo, que nas questões de aborto e casamento gay, a legalização de cada uma dessas matérias não atinge de maneira nenhuma o direito, as convicções pessoais e a moral de quem é contra. A legalização não torna o aborto obrigatório. Nem o casamento gay. Quem é contra exerce seu direito democrático de sê-lo hoje e continuará exercendo esse mesmo direito quando forem legalizados não praticando nenhum dos dois.
O contrário não acontece.
Quem é a favor ao direito ao aborto e ao casamento gay tem hoje seu direito cerceado por convicções alheias.
Por isso afirmo que essa posição de Marina Silva, se exercendo o poder em cargo executivo, de transferir o ônus da responsabilidade sobre essas questões a uma decisão popular da qual ela já sabe o resultado é mais que covarde. É canalha.
domingo, abril 07, 2013
domingo, março 03, 2013
Correio elegante
Vera e Fer, delícia vcs por aqui.
Deh, que dizer das trilhas a não ser que a jukebox do Taranta está entre os meus objetos de desejo TOP5 ?
Roubava fácil!
Deh, que dizer das trilhas a não ser que a jukebox do Taranta está entre os meus objetos de desejo TOP5 ?
Roubava fácil!
sexta-feira, março 01, 2013
Objetivamente
A resposta é não.
Dado o meu comportamento frenético, pra dizer o mínimo, em relação a Bastardos Inglórios e Django, entendo a dificuldade em acreditar na minha objetividade.
Ocorre que Tarantino está amadurecendo sua arte. Aguardo com imensa expectativa e acompanho com imenso prazer as suas produções mais recentes. Bastardos Inglórios e Django, hoje, são o ponto máximo de qualidade de sua obra.
Claro que reconheço, aprecio e admiro a genialidade e delícia de Cães de Aluguel e Pulp Fiction. Mas tem ali a ânsia do discurso, o frio na barriga e o talento represado de um gênio que tem muito a dizer e a mostrar e apenas duas horas pra isso.
A partir de Kill Bill ele está solto. Brinca com suas referências, mistura veículos e linguagens e costura sua história com linhas de todas as cores. E, principalmente, sabe que já chegou lá e este lugar já conquistado permite que ele conte quantas histórias ainda quiser, da forma que imaginar.
Se os irmãos Coen são o Rembrandt do cinema, Tarantino é Pollock. Nada é contido. Tudo é exagero, cor, sangue, personagens bizarros e todas as músicas do mundo misturados de tal forma que só a sua condução precisa permite que esse emaranhado de cores formem a delícia de um filme como Django, por exemplo.
Respondendo a outra pergunta, não, eu não acho que todos os filmes de Tarantino mereçam ser premiados.
Jackie Brown, por exemplo, eu gosto, me divirto, mas reconheço que não é filme que possa pretender premiação. Curiosamente é o único roteiro adaptado.
Existem critérios objetivos sob os quais os filmes podem ser avaliados.
Um filme é uma forma de se contar uma história. Partindo desse ponto, uma boa história é pressuposto básico essencial para um bom filme. A academia e o mundo reconhecem que Tarantino conta uma história como poucos. Seu roteiro é premiado e aclamado.
Outro critério objetivo para se julgar um filme são seus personagens. Além de usar muito bem figurinhas fáceis de Hollywood, Tarantino ressucita do ostracismo atores que viram deuses em papéis memoráveis em seus filmes, descobre preciosidades européias como o eterno coronel Landa, já premiado com dois Oscars e cria tipos tão improváveis quanto inesquecíveis como um escravo que vira cowboy e sai em busca de sua amada de parceria com um alemão, encarnando uma lenda germânica em pleno Mississipi.
Diálogos e apresentação de personagens é o que dá ritmo e sabor a um filme. Além de personalizá-lo. É só pensar o quanto determinadas falas contribuíram para eternizar centenas de filmes e quantos atores são lembrados por seus personagens. E do Tarantino é sua arte maior.
Trilha sonora é outro critério que não pode ser desprezado. Ninguém ainda compôs uma trilha sonora para o Tarantino. Ele atua como um DJ maluco juntando todos os sons e ritmos numa farofa criativa que explode na tela conduzindo a cena de maneira inimaginável.
Agora junte todos os critérios acima e aplique a cada filme que concorreu ao Oscar desse ano, inclusive e principalmente ao que ganhou.
Muito bem.
Atente também para o fato de que Quentin, o Tarantino sequer foi indicado como diretor.
Daí, me respondam: é ou não é motivo pra ficar puta???!!!
sexta-feira, novembro 02, 2012
Dando as caras
Amores,passar por aqui está cada vez mais complicado.
Esse é um ano sabático do blog.
Até janeiro virei aqui muito pouco por causa da feira que estou preparando.
Vocês me encontram diariamente no Facebook da Brigite,se for o caso.
https://www.facebook.com/brigite.acessorios
beijos!
Suzi
sábado, junho 02, 2012
Mania de você
Tenho manias. Muitas. Algumas:
- Não cozinho com louça suja. Primeiro lavo, seco e organizo tudo pra depois começar a cozinhar.
- Quando dirijo, ao parar no sinal fechado, checo se o carro está engatado pelo menos 3 vezes.
- Saio sem celular e sem batom na bolsa. Sem pente, jamais.
- Quando estudo, redijo em um caderno da seguinte forma: citações em caneta e observações pessoais (minhas) a lápis.
E a foto abaixo é pra provar que minha ausência daqui é justificada.
Já foi na Brigite hoje?
quinta-feira, maio 31, 2012
Em gotas
É muito bom voltar a ver um caminho quando você achava que não havia mais perspectiva.
-------------------------------
Tomei um nojo tão forte pelos mecanismos de motivação corporativa que consigo identificar de longe a frase se formando. E fujo pras montanhas.
--------------------------------
Perdão não existe. O máximo possível, quando a convivência é necessária, é um "deixa pra lá".
--------------------------------
Cada um faz e age de acordo com o que sabe. Isso ajuda a explicar a quantidade absurda de gente cretina no mundo.
--------------------------------
14 horas de trabalho corrido ontem. 10 na média essa semana. Isso não é uma queixa.
quarta-feira, abril 11, 2012
Eu pontuo, tu pontuas...
A vida é maior que a gente, sabemos disso. Mas tem dias que ela bate muito forte. Não precisava.
....
Fazer as coisas à pé ajuda a conhecer o bairro. Já identifiquei uma sapataria, uma frutaria e uma loja de produtos para dietas especiais que eu não conhecia. E todas pertinho de casa.
....
Já falei o que acho sobre as sacolas plásticas aqui no blog. O que continuo observando é a nossa tentativa cada vez mais desesperada de aprovação geral. Queremos que o politicamente correto nos alcance, que a simpatia geral nos aprove e que o mundo todo acredite que nos preocupamos com o bem da humanidade em geral e das baleias em particular. Mais idiota impossível. Ninguém se importa com TODO mundo. O nome disso é demagogia.
Mas a oportunidade de demonstrar publicamente a nossa superioridade moral, portando uma sacola retornável é irresistível. Mas até a pose melhor construída está sujeita a escorregadelas.
Na minha frente, na fila do supermercado, 11 da manhã, uma moça de salto 10, bolsa dourada de grife, sacola retornável de grife e rodando a baiana geral porque o menino que registrava as compras dela, portando uma camiseta que dizia "em treinamento" tornava lento o processo pois tinha que consultar a tabela pra registrar as verduras e frutas que eram pesadas na hora.
Então, formô. Funciona assim: eu zero karma reciclando lixo e portanto não preciso participar nem minimamente de droga de processo de inclusão social nenhum. Eu quero "salvar o planeta", o bem da humanidade, a evolução social e cultural do mundo e o escambau desde que o meu tempo na fila não seja prejudicado. Afinal, essa sacola linda e cara que eu tenho nos ombros já sinaliza meu lugar no mundo. E ele é infinitamente superior aos demais.
Fofo, né?
....
Fazer as coisas à pé ajuda a conhecer o bairro. Já identifiquei uma sapataria, uma frutaria e uma loja de produtos para dietas especiais que eu não conhecia. E todas pertinho de casa.
....
Já falei o que acho sobre as sacolas plásticas aqui no blog. O que continuo observando é a nossa tentativa cada vez mais desesperada de aprovação geral. Queremos que o politicamente correto nos alcance, que a simpatia geral nos aprove e que o mundo todo acredite que nos preocupamos com o bem da humanidade em geral e das baleias em particular. Mais idiota impossível. Ninguém se importa com TODO mundo. O nome disso é demagogia.
Mas a oportunidade de demonstrar publicamente a nossa superioridade moral, portando uma sacola retornável é irresistível. Mas até a pose melhor construída está sujeita a escorregadelas.
Na minha frente, na fila do supermercado, 11 da manhã, uma moça de salto 10, bolsa dourada de grife, sacola retornável de grife e rodando a baiana geral porque o menino que registrava as compras dela, portando uma camiseta que dizia "em treinamento" tornava lento o processo pois tinha que consultar a tabela pra registrar as verduras e frutas que eram pesadas na hora.
Então, formô. Funciona assim: eu zero karma reciclando lixo e portanto não preciso participar nem minimamente de droga de processo de inclusão social nenhum. Eu quero "salvar o planeta", o bem da humanidade, a evolução social e cultural do mundo e o escambau desde que o meu tempo na fila não seja prejudicado. Afinal, essa sacola linda e cara que eu tenho nos ombros já sinaliza meu lugar no mundo. E ele é infinitamente superior aos demais.
Fofo, né?
domingo, março 18, 2012
Pontuando
Fui contar um sonho que tive, nunca sonho aliás, e mandei:
- A humanidade...
- Mas mãe, péra, teu sonho começa com "a humanidade"?
Pronto. Freud deu ca testa na tampa do caixão.
....
Algo está errado quando a pessoa pensa em deixar um rolo de fita adesiva na sala pra ter com que amordaçar um ladrão invasor até que a polícia chegue.
....
Esse friozim que tá fazendo é a glória. Mantenha, please.
- A humanidade...
- Mas mãe, péra, teu sonho começa com "a humanidade"?
Pronto. Freud deu ca testa na tampa do caixão.
....
Algo está errado quando a pessoa pensa em deixar um rolo de fita adesiva na sala pra ter com que amordaçar um ladrão invasor até que a polícia chegue.
....
Esse friozim que tá fazendo é a glória. Mantenha, please.
sábado, março 17, 2012
Hoje é domingo.
Decidi que hoje é domingo. Comidinhas, livro novo, revista nova, e computador no colo. Tudo isso debaixo das cobertas e em frente à Tv.
....
Ontem foi meu aniversário. Eu fico muito na moita nesse dia pois não vejo muito sentido em comemorar a passagem do tempo pura e simplesmente. Nada contra.Não tenho nenhuma teoria elaborada sobre isso, nenhum problema com envelhecer, mas acho que verei sentido em festejar quando passar dos 95 e cada ano for uma vitória particular. Acontece que esse meu comportamento blasé em relação à data tem gerado espanto em algumas pessoas e gerado algumas situações interessantes.
Mas nada é mais lindo que encontrar uma mensagem como essa na sua página do FB:
Mãe. Não dormi ainda, então ainda está valendo! Parabéns!!
Desculpe não ter ligado antes...mas não suporto o Pedro me lembrando que hoje é o seu aniversário. Parece que eu te liguei pq ele me pediu que o fizesse...
O que eu queria te dizer, é que não importa o quanto tempo passe. Não importa o quanto meu cabelo caia. Não importa se eu já tiver filhos, ou não. Eu sempre estarei contigo. Conciente de que sou seu reflexo, e não tenho nenhum problema com isso. Muito pelo contrário.
Sempre estarei contigo, te seguindo. Seja na vida real ou no mundo dos sonhos, num apocalipse zumbi procurando pelo Hugo.
Te amo, baixinha. Fim de semana que vem estou aí. E aí sim vou poder te dar o abraço que queria te dar no dia de hoje, que não tem telefonema ou mensagem no mundo que substitua.
Bij!
Desculpe não ter ligado antes...mas não suporto o Pedro me lembrando que hoje é o seu aniversário. Parece que eu te liguei pq ele me pediu que o fizesse...
O que eu queria te dizer, é que não importa o quanto tempo passe. Não importa o quanto meu cabelo caia. Não importa se eu já tiver filhos, ou não. Eu sempre estarei contigo. Conciente de que sou seu reflexo, e não tenho nenhum problema com isso. Muito pelo contrário.
Sempre estarei contigo, te seguindo. Seja na vida real ou no mundo dos sonhos, num apocalipse zumbi procurando pelo Hugo.
Te amo, baixinha. Fim de semana que vem estou aí. E aí sim vou poder te dar o abraço que queria te dar no dia de hoje, que não tem telefonema ou mensagem no mundo que substitua.
Bij!
Mensagem do Tiago. Uma das 3 maravilhas absolutas da minha vida.
sábado, janeiro 07, 2012
Pontuando
Preguiça de explicar. E cada vez me pedem maiores explicações. Então eu só confirmo. Seja lá o que for.
...
Um ano acabou e outro começou. Entre uma coisa e outra, apenas uma noite bem dormida. Então, pra que tanta firula?
...
Não prometo nada pra 2012
...
Dor nas costas e tendinite. Travada, no postinho de saúde do SUS, o médico - aquele pândego:
- Você precisa de férias.
- O Sr. recomenda Toscana ou Grécia?
Ele olha incrédulo:
- Tá de brincadeira?
- Foi Sr. quem começou.
...
Você dá de presente aquilo que o outro gosta, não aquilo que você acha que ele deveria gostar.
...
Se você não curtiu o presente recebido, troque ou jogue fora. Não passe adiante. A possibilidade de dar confusão ou do outro também detestar ou as duas coisas juntas, é grande.
...
Um ano acabou e outro começou. Entre uma coisa e outra, apenas uma noite bem dormida. Então, pra que tanta firula?
...
Não prometo nada pra 2012
...
Dor nas costas e tendinite. Travada, no postinho de saúde do SUS, o médico - aquele pândego:
- Você precisa de férias.
- O Sr. recomenda Toscana ou Grécia?
Ele olha incrédulo:
- Tá de brincadeira?
- Foi Sr. quem começou.
...
Você dá de presente aquilo que o outro gosta, não aquilo que você acha que ele deveria gostar.
...
Se você não curtiu o presente recebido, troque ou jogue fora. Não passe adiante. A possibilidade de dar confusão ou do outro também detestar ou as duas coisas juntas, é grande.
quarta-feira, dezembro 07, 2011
Tudo de bom
Não sou de grandes gestos, arroubos heróicos nem há em toda a minha vida um único feito notável.
Acredito, pelo contrário, na importância dos pequenos gestos, na riqueza dos detalhes e no frescor das pequenas alegrias.
Talvez por isso não acredite em felicidade. Mas trabalho diariamente na construção de dias felizes.
Comprar flores na banca de rua, pra mim, é o fecho perfeito para uma linda manhã.
E ainda por cima ganhar um botão de rosa de brinde, foi a deliciosa cereja do bolo.
Se minha sincera intenção tiver algum efeito prático, o moço da banca será feliz para sempre, pois eu falei sério quando agradeci e disse: "Tudo de bom pra você."
Acredito, pelo contrário, na importância dos pequenos gestos, na riqueza dos detalhes e no frescor das pequenas alegrias.
Talvez por isso não acredite em felicidade. Mas trabalho diariamente na construção de dias felizes.
Comprar flores na banca de rua, pra mim, é o fecho perfeito para uma linda manhã.
E ainda por cima ganhar um botão de rosa de brinde, foi a deliciosa cereja do bolo.
Se minha sincera intenção tiver algum efeito prático, o moço da banca será feliz para sempre, pois eu falei sério quando agradeci e disse: "Tudo de bom pra você."
domingo, outubro 09, 2011
Tijolo por tijolo.
A construção da nossa autoestima passa por muitos caminhos. Cada pessoa valida suas escolhas, acomoda seus muitos medos, atribui seus acertos a uma determinada parcela de sua personalidade onde o chão lhe é um pouco mais firme que o resto do mundo.
Portanto, quando esse pedaço de chão sofre um abalo, toda sua vida está em cheque.
Acomodar tudo novamente, voltar a confiar em si mesma, retomar caminhos interrompidos e corrigir as próprias falhas leva tempo, dor e silêncio.
Tudo é processo. E a retomada do fio demanda esforço diário além de uma dose extra de proporção e realidade.
Vai dar pé novamente. Mas por enquanto todo o esforço concentrado mantém apenas a narina fora dágua.
É o que tem pra hoje.
domingo, outubro 02, 2011
A última do sutiã.
Vi por alto que há uma polêmica no ar.
A polêmica é sobre a propaganda de lingerie da Gisele. Onde ela dá as notícias ao marido do jeito errado - com roupa - e do jeito certo - de lingerie.
A crítica acha a propaganda ofensiva às mulheres. Eu acho exagero. Tenho medo da ditadura do politicamente correto e considero essa uma das suas manifestações.
Não sou nenhuma beldade e mesmo assim a propaganda não me ofendeu nem um pouco. Achei divertida exatamente por lidar com a erotização de uma relação afetiva de uma maneira leve e marota.
Considerar a mulher um objeto de desejo não é ofensivo. Desde que essa não seja uma limitação. Somos todas objeto de desejo e desejamos nossos(as) parceiros (as) da mesma forma, grazadeus!
O que complica é o rótulo, a limitação, o estereótipo.
Se sou gostosa não posso ser também inteligente?
Se sou gostosa e inteligente e escolho ser dona de casa, não pode?
Se não sou gostosa nem linda, não posso ter nem realizar fantasias?
Somos isso tudo aí, tudo junto e misturado.
E podemos exercer cada uma das nossas muitas possibilidades. Ou não.
Limitação é nociva quando vem do outro.
Decisão de ser isso ou não ser aquilo se chama escolha.
E não é uma moça linda fazendo charme pro marido, vestindo uma lingerie, que vai abalar nossas estruturas.
Isso faz de todas nós objetos sexuais?
Objetos sexuais nós já somos. E isso não é nenhuma tragédia. Porque somos isso e muito mais.
A polêmica é sobre a propaganda de lingerie da Gisele. Onde ela dá as notícias ao marido do jeito errado - com roupa - e do jeito certo - de lingerie.
A crítica acha a propaganda ofensiva às mulheres. Eu acho exagero. Tenho medo da ditadura do politicamente correto e considero essa uma das suas manifestações.
Não sou nenhuma beldade e mesmo assim a propaganda não me ofendeu nem um pouco. Achei divertida exatamente por lidar com a erotização de uma relação afetiva de uma maneira leve e marota.
Considerar a mulher um objeto de desejo não é ofensivo. Desde que essa não seja uma limitação. Somos todas objeto de desejo e desejamos nossos(as) parceiros (as) da mesma forma, grazadeus!
O que complica é o rótulo, a limitação, o estereótipo.
Se sou gostosa não posso ser também inteligente?
Se sou gostosa e inteligente e escolho ser dona de casa, não pode?
Se não sou gostosa nem linda, não posso ter nem realizar fantasias?
Somos isso tudo aí, tudo junto e misturado.
E podemos exercer cada uma das nossas muitas possibilidades. Ou não.
Limitação é nociva quando vem do outro.
Decisão de ser isso ou não ser aquilo se chama escolha.
E não é uma moça linda fazendo charme pro marido, vestindo uma lingerie, que vai abalar nossas estruturas.
Isso faz de todas nós objetos sexuais?
Objetos sexuais nós já somos. E isso não é nenhuma tragédia. Porque somos isso e muito mais.
quarta-feira, agosto 10, 2011
Segredos Inconfessáveis que Toda Mãe Deve Ter ou Prato Cheio pra Doutorado em Psicanálise
- Quando lavo roupas dos meus filhos que moram fora e depois não sei o que é de quem, me sinto muito mal.
- Toda vez (toda vez MESMO) que o tempo esfria eu procuro mentalmente onde cada um está e se estão devidamente agasalhados.
- Toda vez que ouço uma ambulância eu repito pra mim mesma: "que nunca seja prum filho meu".
- Cada vez que vejo uma mãe com filhos pequenos catando papelão na rua e empurrando aquele carinho pesadíssimo (como acaba de acontecer) eu choro. Mas nesse caso eu sei porque. Só eu sei o quão tênue é a linha que me separa dela. E o choro é totalmente egoísta, pois não é por ela. É por mim.
- Toda vez (toda vez MESMO) que o tempo esfria eu procuro mentalmente onde cada um está e se estão devidamente agasalhados.
- Toda vez que ouço uma ambulância eu repito pra mim mesma: "que nunca seja prum filho meu".
- Cada vez que vejo uma mãe com filhos pequenos catando papelão na rua e empurrando aquele carinho pesadíssimo (como acaba de acontecer) eu choro. Mas nesse caso eu sei porque. Só eu sei o quão tênue é a linha que me separa dela. E o choro é totalmente egoísta, pois não é por ela. É por mim.
segunda-feira, agosto 08, 2011
Pontuando
- O cara escreve um livro com (centenas) de parágrafos tipo esse: "A Europa latina continua sendo uma cultura periférica, isolada pelo mundo turco muçulmano, que domina politicamente do Marrocos até o Egito, a Mesopotâmia, o império Mongol do Norte da Índia, os reinos mercantis de Málaga, até a ilha Mindanau nas Filipinas..." e NÃO BOTA MAPA???
To eu aqui, xingando e manuseando Atlas Históricos, perdendo um tempão da p*rra, pra localizar o mapa histórico correspondente e tentar memorizar visualmente exatamente o que ele está falando.
Agora me diz: custava por os mapas todos no livro? custava? O livro ficava até mais bonitinho, cheio de mapinha colorido e me poupava da estiva. C*raio.
- Informo que comecei dieta na sexta. E hoje, segunda, tô com a bicha dominada. Em dia. Bonito. Sexta feira eu me peso e digo quanto eu perdi. Se não perder nada eu mato um.
Deixa eu voltar pro tronco. Cabô o recreio.
To eu aqui, xingando e manuseando Atlas Históricos, perdendo um tempão da p*rra, pra localizar o mapa histórico correspondente e tentar memorizar visualmente exatamente o que ele está falando.
Agora me diz: custava por os mapas todos no livro? custava? O livro ficava até mais bonitinho, cheio de mapinha colorido e me poupava da estiva. C*raio.
- Informo que comecei dieta na sexta. E hoje, segunda, tô com a bicha dominada. Em dia. Bonito. Sexta feira eu me peso e digo quanto eu perdi. Se não perder nada eu mato um.
Deixa eu voltar pro tronco. Cabô o recreio.
terça-feira, julho 19, 2011
Novidades no site!
Sem tempo pra naaadaaaa!
Mas vai dar uma espiadinhas nas pulseiras, vai?
http://www.brigite.com.br/loja/catalog/category/view/s/pulseiras/id/13/?limit=40
Mas vai dar uma espiadinhas nas pulseiras, vai?
http://www.brigite.com.br/loja/catalog/category/view/s/pulseiras/id/13/?limit=40
sexta-feira, junho 10, 2011
Recomendo!!!!!
Clique na imagem para ampliar.
Quer se salvar das trevas da ignorância? Mande email para fal.drops@gmail.com
De nada.
quarta-feira, junho 01, 2011
Pontuando
Gente, o frio tá danado, mas os dias lindos! Sol com frio é meu conceito de dia perfeito!
...
A Elegância do Afeto. Aqui: http://www.brigite.com.br/blog/?p=612
...
Por que é tão difícil definir um tema para o mestrado hein, povo?
...
Dead Line. Meu terror atual. Por isso, passar por aqui é assim: como quem furta.
bejos
sexta-feira, maio 20, 2011
quarta-feira, maio 18, 2011
Correio Elegante
Aninha, deixa de ser besta! O máximo que pode acontecer é eu deixar vc algumas horinhas na sala de espera, tá? Leamo.
Ju, o home é demais! Lamentei o fato de não ter levado papel pra anotações. Tive que chegar em casa e correr escrever o que lembrava. Claro que muita coisa me escapou. Fui tão besta que não levei livro pra autografar, olha que tonta? Mas entrei na fila do autógrafo mesmo assim e pedi com a maior cara de pau: "Ubaldo, eu quero um abraço!" Ele, fofo demais, me deu e eu ainda ganhei de quebra uma foto delícia!
Maguelo, meu amor! Que delícia tê-lo aqui!
Claudim, já que você está de barba feita, ok.
Madoka, acontece que você É da turma. bjs.
Ju, o home é demais! Lamentei o fato de não ter levado papel pra anotações. Tive que chegar em casa e correr escrever o que lembrava. Claro que muita coisa me escapou. Fui tão besta que não levei livro pra autografar, olha que tonta? Mas entrei na fila do autógrafo mesmo assim e pedi com a maior cara de pau: "Ubaldo, eu quero um abraço!" Ele, fofo demais, me deu e eu ainda ganhei de quebra uma foto delícia!
Maguelo, meu amor! Que delícia tê-lo aqui!
Claudim, já que você está de barba feita, ok.
Madoka, acontece que você É da turma. bjs.
sábado, maio 14, 2011
Insuportavelmente!
É difícil quando a pessoa não tem exemplo de blog bom em casa, né? Tadinha de Maliu, gente. Mas aqui vc tem colo sempre, viu? Deixa a Fal pra lá. Ela tá com o coraçãozinho peludo de inveja.
....
Então. Todo mundo tomando banho e passando perfume pra entrar nesse blog.
Tô dando, inclusive, up grade nas amizades. Não posso me dar com qualquer um depois disso, meusamô.
....
Então. Todo mundo tomando banho e passando perfume pra entrar nesse blog.
Tô dando, inclusive, up grade nas amizades. Não posso me dar com qualquer um depois disso, meusamô.
João Ubaldo Ribeiro no Paiol Literário em Curitiba.
"Comer e procriar é muito pobre pra uma vida. Temos que desenvolver nossa sensibilidade."
"Quando fui professor, tive que fazer adequações seríssimas nas minhas expectativas para poder aprovar alguém"
"A obrigação de ler mata o gosto pela leitura. Acho horrorosas as perguntas que fazem sobre livros com intenção de ensinar a ler. Vou ver as perguntas que fazem sobre meus livros nos vestibulares e não acerto uma."
A beleza do livro está na imaginação. No livro, na frase "a princesa saiu da sua casa e encontrou o dragão" cada um imagina a sua casa, a sua princesa e o seu dragão. No cinema, por exemplo, será a mesma princesa, a mesma casa e o mesmo dragão pra todo mundo."
"Meus autores preferidos? Todos. Tenho preguiça de dizer os nomes."
"Cheque e prazo. As maiores fontes de inspiração de um escritor."
"Eu não planejo um livro. Eu sigo o personagem e escrevo tudo o que ele faz."
"No tempo da máquina de escrever eu produzia 3 páginas por dia. Com o computador, contamos em palavras. Virgínia Woolf produzia 1200. Conrad produzia 800. Eu posso dizer que produzo um Conrad por dia."
"Quando me veem no boteco com meus amigos escritores, as pessoas passam ao largo e imaginam a alta intelctualidade da conversa. Mal sabem elas que a gente tá dizendo: Quanto que aquele filho da puta te paga?"
Tem como não amar esse home, meu pai?
quinta-feira, abril 07, 2011
Pontuando
O mundo acabando, colar de encomenda pra ser feito, peça de sorteio pra ser escolhido, email em inglês a ser redigido, geladeira a ser descongelada, correio só encaminha no mesmo dia se postar até as 17 horas e eu paro tudo pra arrumar a caixa de fitas. Por cor e tamanho.
....
A tragédia do Realengo me fez chorar várias vezes hoje. Liguei pros moleques pra mandar beijos e abri um vinho pra tomar com a Xu. Por que eles estão bem e isso não é pouco.
...
Dia cheio. Campainha toca. Pessoal cristão, em dupla, determinado a salvar minha alma. Preciso de uma placa assim, urgente:
....
A tragédia do Realengo me fez chorar várias vezes hoje. Liguei pros moleques pra mandar beijos e abri um vinho pra tomar com a Xu. Por que eles estão bem e isso não é pouco.
...
Dia cheio. Campainha toca. Pessoal cristão, em dupla, determinado a salvar minha alma. Preciso de uma placa assim, urgente:
terça-feira, março 29, 2011
Mimos de Norah
O que fazer de lembrancinha de nascimento pra filhinha de uma cientista-de-passarinho que mora em Milão, casada com um italiano?
Conversando com a mãe por email, ficou decidido que seria cartõezinhos de papel semente de manjericão em envelopinhos coloridos.
Mãos à obra. Primeiro a confecção do papel:
Depois a escolha das cores dos envelopes:
Os adesivos criados pela Xu:
As florzinhas:
O papel semente no envelope:
Os envelopinhos todos alinhados, prontos pro vôo pra Milão!
Que a chegada de Norah seja tranquila e que o carinho desse mimo lhe abençôe, Alline!
Beijos meus e da Xu!
P.S. Este post deveria ter sido publicado do Blog da Brigite, mas por alguma urucubaca cósmica o wordpress não está subindo imagens hoje.
segunda-feira, março 21, 2011
Hoje eu sou Cidade de Deus
Quando Paulo Lins escreveu Cidade de Deus, num processo de pesquisa de estudo sociológico na comunidade onde nasceu, ele fez muito mais que relatar dia a dia da sua favela.
Ele abria em leques problemas sociais, angústias e anseios humanistas, conflitos entre diferentes classes sociais geograficamente próximas, a crueza de sentimentos e personagens marginais e sem saber inseria para sempre Cidade de Deus no contexto mundial.
A comitiva americana que decidiu incluir Cidade de Deus no roteiro da visita do Obama ao Brasil muito provavelmente não conhece Paulo Lins. Mas a política da sua decisão foi pautada por ele.
A busca pelo conhecimento, a tentativa de compreensão do mundo, a inquietação de Paulo Lins em entender e retratar o seu entorno, deu voz e identidade a uma parte esquecida do mundo.
Essa voz foi ampliada de forma maravilhosa por Fernando Meirelles e os desdobramentos dessa história são consequências felizes de uma iniciativa autêntica e pessoal.
Num canto esquecido da Cidade Maravilhosa, promovido unicamente pela sede de fazer parte do mundo Paulo Lins cantou sua aldeia. E continua universal.
Adoro o Obama e sua família e não ignoro nem faço pouco do significado da sua visita. Mas depois de ver Cidade de Deus vestida de amarelo, cantando "Sou brasileiro, com muito orgulho..." e indagadas quanto ao significado do gesto, senhorinhas responderem que gostariam que Obama soubesse que elas são felizes e que ele é muito bem vindo, declaro: Obama é o caralho! Meu nome é Paulo Lins, porra!
quarta-feira, março 16, 2011
Rabugices sobre uma propaganda.
Eu gostei da nova campanha de propaganda da Net para TV: "No dia em que eu virei um Net".
Nunca gostei das campanhas anteriores dessa empresa em nenhuma de suas edições e sempre que aparecia uma nova eu balançava a cabeça e ponderava se a campanha que era péssima mesmo ou era eu que estava ficando cada vez mais rabugenta.
Por isso, ver o Hudson Senna entrar com um violãozinho maroto foi uma bênção. Fui gostando de todas as edições, até a do sapatinho de pano pra não riscar o chão rarara, mas gelei quando vi uma das últimas a serem veiculadas. A da filha, Suzana.
O ator/cantor entra em cena com o violão e a filha está numa mesa de estudos entediada. O texto diz que a filha Suzana quer adquirir cultura "mas não tem a menor paciência". Então a solução é assinar a Net.
Bateu no ponto.
Claro que arte de maneira geral, cinema e teatro em particular são fundamentais. E a TV a cabo está trazendo muita coisa de boa qualidade. Mas nada disso será absorvido de maneira plena ou minimamente compreensível sem estudo prévio. Uma coisa não substitui a outra. Recentemente assisti de cabo a rabo toda a série Roma produzida pela HBO e adorei. Compreendi conceitos, alinhavei períodos e me deliciei com uma produção primorosa. Mas certamente não teria aproveitado nem 10% da coisa se não houvesse primeiro passado pelos livros de história.
Eu gosto muito de televisão, adoro internet e não sou contra nenhum dos avanços tecnológicos. Mas nenhum deles jamais substituirá horas diárias de estudo sério. E esse caminho passa, necessariamente, pela leitura.
E o que me irrita profundamente é essa condescendência com a chamada "geração Y". Até o nome dado eu acho ridículo. Melhor, o fato de terem dado nome a isso é ridículo.
Acho lamentável nomearem como fenômeno sociológico o produto de décadas de negligência paterna e alienação cultural. Ou melhor, nomear, tudo bem. É papel da sociologia entender e classificar comportamentos. O que me deprime é o fato de universidades reunirem seu corpo docente uma semana antes do início do ano letivo pra palestras que tem o intuito único de mostrar como funciona a cabeça da "geração Y" para imediatamente se adequar a ela. Os alunos não lêem livros? Damos resumos. Não fazem pesquisa? Confeccionamos apostilas. Não lidam com papel? Fornecemos matéria condensada em lindos e caríssimos netbooks. E, como sugere a propaganda mencionada, tem preguiça de estudar? Assinamos a Net e está tudo resolvido.
Não existe forma fácil de adquirir conhecimento. Não existe fórmula mágica de aprender sem esforço. E é nosso papel de pais e educadores propiciar condições para o exercício do aprendizados de nossos filhos. E determinados conceitos não mudarão jamais. Estudar é difícil, é cansativo e não será divertido o tempo todo. Exige concentração, esforço, responsabilidade e disciplina.
Todo o avanço tecnológico conquistado servirá sempre de base de apoio, ferramentas de pesquisa e complementação de formação cultural.
E esse conceito do caminho fácil tão naturalmente defendido me ofende. E estar numa propaganda de TV a cabo me revolta.
Eu só torço pra todas as Suzanas estarem juntas e inscritas na mesma prova de mestrado que eu.
Aí sim. Seria divertido.
segunda-feira, fevereiro 14, 2011
Oscar 2011 - Bolão!
Quer arriscar seu palpite?
O Blog da Brigite premia os ganhadores.
Bora lá palpitar?
segunda-feira, janeiro 17, 2011
Globo de Ouro? Sim, pitacamos!
Fofocas do Globo de Ouro. Praticamos aqui:
http://www.brigite.com.br/blog/?p=431
http://www.brigite.com.br/blog/?p=431
sexta-feira, janeiro 14, 2011
Tartaruga sábia
Os quarenta anos trouxeram pra mim a preciosa consciência da mortalidade.
Nada dramático nem recheado de pavores.
Nada decorrente de fatos concretos.
Nenhuma predisposição ao lúgubre nem ao baixo astral.
A simples e indefectível sensação de que sim, um dia morremos e não será diferente comigo.
Claro que todos sabemos disso desde a tenra idade. Mas saber é muito diferente de sentir.
A ficha não caiu de uma vez. A coisa se deu aos poucos.
Mas acredito que o fato do meu filho mais velho ter terminado a faculdade tenha sido o grande divisor de águas.
Eu tinha uma frase recorrente: "quando meus filhos terminarem a faculdade, eu vou voltar a estudar." Analisando agora, todas as minhas frases recorrentes do período imortal começavam com "Quando" "Um dia" ou seja, num futuro indefinido e distante.
A consciência da mortalidade não trouxe pra minha vida somente um bom contrato de seguro, mas principalmente a certeza de que meu tempo é agora e quando é hoje.
O futuro indefinido e distante não existe.
E essa certeza ajuda a definir horizontes, a deixar de sofrer pelo impossível e aproveitar o máximo o que se tem à mão.
A decisão de fazer mestrado é parte de tudo isso. Uma nova etapa, um objetivo concreto, um horizonte possível dentro de um quadro que talvez tenha de mais fascinante o fato, agora palpável, de não ser eterno.
Nada dramático nem recheado de pavores.
Nada decorrente de fatos concretos.
Nenhuma predisposição ao lúgubre nem ao baixo astral.
A simples e indefectível sensação de que sim, um dia morremos e não será diferente comigo.
Claro que todos sabemos disso desde a tenra idade. Mas saber é muito diferente de sentir.
A ficha não caiu de uma vez. A coisa se deu aos poucos.
Mas acredito que o fato do meu filho mais velho ter terminado a faculdade tenha sido o grande divisor de águas.
Eu tinha uma frase recorrente: "quando meus filhos terminarem a faculdade, eu vou voltar a estudar." Analisando agora, todas as minhas frases recorrentes do período imortal começavam com "Quando" "Um dia" ou seja, num futuro indefinido e distante.
A consciência da mortalidade não trouxe pra minha vida somente um bom contrato de seguro, mas principalmente a certeza de que meu tempo é agora e quando é hoje.
O futuro indefinido e distante não existe.
E essa certeza ajuda a definir horizontes, a deixar de sofrer pelo impossível e aproveitar o máximo o que se tem à mão.
A decisão de fazer mestrado é parte de tudo isso. Uma nova etapa, um objetivo concreto, um horizonte possível dentro de um quadro que talvez tenha de mais fascinante o fato, agora palpável, de não ser eterno.
quarta-feira, janeiro 05, 2011
Três feridas narcísicas históricas
"A ciência repôs o Homem em seu devido lugar e abateu-lhe o orgulho: Copérnico removeu-o do centro do Universo; Darwin reduziu-o ao status de animal e Freud destronou o seu intelecto, pondo o instinto em seu lugar."
Da Alvorada à Decadência....
Da Alvorada à Decadência....
terça-feira, janeiro 04, 2011
Aviso aos Navegantes.
- Ninguém tem tempo pra estudar;
- Ninguém tem paciência pra fazer trabalhos manuais;
- Ninguém gosta de lavar louça;
- Ninguém aprende uma segunda língua por osmose;
- Ninguém tem todas as manhãs livres pra leituras;
- Ninguém opta por correr na esteira numa lista de variedades de folguedos.
Portanto, se você não ganhou na mega-sena da virada, meu bem, dê cá a mãozinha e repita comigo:
Tudo isso aí em cima requer esforço, dedicação, hora extra de trabalho, vencer a preguiça, desligar a TV por dias a fio, cortar gastos, comer menos, beber menos ainda, "não, eu não posso ir ao barzinho", levantar cedo, ir à pé até a biblioteca pública.
E para aqueles que me vêem lendo a tarde toda, de caneca de café em punho, um aviso: declarações do tipo "eu queria tanto ter tempo pra ler que nem você" não serão toleradas. Em nenhuma hipótese.
- Ninguém tem paciência pra fazer trabalhos manuais;
- Ninguém gosta de lavar louça;
- Ninguém aprende uma segunda língua por osmose;
- Ninguém tem todas as manhãs livres pra leituras;
- Ninguém opta por correr na esteira numa lista de variedades de folguedos.
Portanto, se você não ganhou na mega-sena da virada, meu bem, dê cá a mãozinha e repita comigo:
Tudo isso aí em cima requer esforço, dedicação, hora extra de trabalho, vencer a preguiça, desligar a TV por dias a fio, cortar gastos, comer menos, beber menos ainda, "não, eu não posso ir ao barzinho", levantar cedo, ir à pé até a biblioteca pública.
E para aqueles que me vêem lendo a tarde toda, de caneca de café em punho, um aviso: declarações do tipo "eu queria tanto ter tempo pra ler que nem você" não serão toleradas. Em nenhuma hipótese.
terça-feira, dezembro 28, 2010
domingo, dezembro 26, 2010
Então. É Natal?
Este foi o ano em que passei mais longe do Natal.
Decoração natalina zero.
Cozinhar zero. Comemos fora a maior parte do tempo.
Somente eu, a Xu e o Tiago. O Hugo está trabalhando na praia.
E estou adorando cada minuto.
Decoração natalina zero.
Cozinhar zero. Comemos fora a maior parte do tempo.
Somente eu, a Xu e o Tiago. O Hugo está trabalhando na praia.
E estou adorando cada minuto.
domingo, dezembro 05, 2010
Vincere
Um romance, omitido na biografia oficial do Duce, do qual nasceu um filho reconhecido e depois renegado.
Ida Dalser foi mantida por 11 anos internada a força num manicômio para não comprometer a imagem pública do ditador, já casado com outra.
Adoro a estética do cinema europeu. Focos de luz permeando a penumbra, evitando iluminar a cena por completo. O efeito causado evidencia o clima do filme.
É um filme duro, pesado, difícil de digerir. Não explica nada em narrativas paralelas e você só vai entendendo determinados flashes no decorrer do filme.
Para mim, uma das falas mais emblemáticas do filme faz parte do diálogo entre o psicanalista, no manicômio, com Isa Dalser. Resumindo: "Para sobreviver, temos que ser atores".
Assistam.
Recomendo muito.
quinta-feira, novembro 18, 2010
quarta-feira, novembro 17, 2010
terça-feira, novembro 16, 2010
José e Pilar
Fui assistir ao documentário sobre Saramago. Optaram por mostrar sua vida do ponto de vista da sua relação com Pilar. Achei acertado e humano.
É comovente vê-lo na faina diária, e tenho particular predileção pelas cenas em sua mesa de trabalho.
Taí um registro que seria facilmente assinado por mim.
Não estou me alçando à tamanha capacidade técnica, nem estou dizendo que faço igual. Mas compartilho o ponto de vista de quem decidiu o fio condutor da obra.
Amo detalhes, pois acho que eles entregam o que há de mais autêntico em nós. O pé na pantufa, os dedos entrelaçados, o copo de leite trazem a mim o homem, o ser, o conjunto humano imperfeito e falho que labora a obra prima.
Não me atrevo a opinar sobre a posição política do escritor e sua tumultuada relação com Portugal. Deixo essa tarefa pra Isa , portuguesa da gema e, portanto, com maior propriedade no assunto.
As imagens são belíssimas. Portugal e Espanha retratados como um luxuoso pano de fundo dessa trajetória soberba. Não conhecia mas pretendo acompanhar os trabalhos do diretor português Miguel Gonçalves Mendes.
Me impressiona o fato de Saramago ter começado a escrever aos sessenta anos. E esse fato para mim explica a consistência da sua obra. São idéias amadurecidas, trabalhadas no processo de uma vida.
Esse é outro ponto forte do documentário. É uma obra honesta. Claro que a ideologia está lá, nem teria como ser diferente pois José e Pilar são pessoas ideologicamente comprometidas e vivem em coerência com sua forma de pensar. Mas essa ideologia é apenas uma face do retrato. Não é bandeira do filme.
O contraponto de temperamento do casal é divertido e interessante. Pilar é o vento que sopra em Lanzarote. Espanhol, impetuoso e veemente. Saramago é de uma sagacidade melancólica e serena.
Produzem juntos um senso de humor delicioso, complementar e único.
Momento total vergonha alheia do leitor brasileiro na fila de autógrafos pedindo ao escritor que desenhasse um hipopótamo. Assistindo eu queria morrer. Se estivesse presente no fato, matava o desgraçado.
A obra é emocionante sem ser piegas, o amor dos dois é lindo sem ser água com açúcar e temos do escritor um retrato digno, comovente e humano, sem nenhuma dramaturgia, repleto apenas de vida.
Ainda não li A Viagem do Elefante, livro que o Saramago estava escrevendo na época do documentário mas tenho certeza de que quando vier a fazê-lo, Saramago e Pilar estarão comigo.
É filme pra ver no cinema e mais tarde comprar o DVD. Recomendo muito.
É comovente vê-lo na faina diária, e tenho particular predileção pelas cenas em sua mesa de trabalho.
Taí um registro que seria facilmente assinado por mim.
Não estou me alçando à tamanha capacidade técnica, nem estou dizendo que faço igual. Mas compartilho o ponto de vista de quem decidiu o fio condutor da obra.
Amo detalhes, pois acho que eles entregam o que há de mais autêntico em nós. O pé na pantufa, os dedos entrelaçados, o copo de leite trazem a mim o homem, o ser, o conjunto humano imperfeito e falho que labora a obra prima.
Não me atrevo a opinar sobre a posição política do escritor e sua tumultuada relação com Portugal. Deixo essa tarefa pra Isa , portuguesa da gema e, portanto, com maior propriedade no assunto.
As imagens são belíssimas. Portugal e Espanha retratados como um luxuoso pano de fundo dessa trajetória soberba. Não conhecia mas pretendo acompanhar os trabalhos do diretor português Miguel Gonçalves Mendes.
Me impressiona o fato de Saramago ter começado a escrever aos sessenta anos. E esse fato para mim explica a consistência da sua obra. São idéias amadurecidas, trabalhadas no processo de uma vida.
Esse é outro ponto forte do documentário. É uma obra honesta. Claro que a ideologia está lá, nem teria como ser diferente pois José e Pilar são pessoas ideologicamente comprometidas e vivem em coerência com sua forma de pensar. Mas essa ideologia é apenas uma face do retrato. Não é bandeira do filme.
O contraponto de temperamento do casal é divertido e interessante. Pilar é o vento que sopra em Lanzarote. Espanhol, impetuoso e veemente. Saramago é de uma sagacidade melancólica e serena.
Produzem juntos um senso de humor delicioso, complementar e único.
Momento total vergonha alheia do leitor brasileiro na fila de autógrafos pedindo ao escritor que desenhasse um hipopótamo. Assistindo eu queria morrer. Se estivesse presente no fato, matava o desgraçado.
A obra é emocionante sem ser piegas, o amor dos dois é lindo sem ser água com açúcar e temos do escritor um retrato digno, comovente e humano, sem nenhuma dramaturgia, repleto apenas de vida.
Ainda não li A Viagem do Elefante, livro que o Saramago estava escrevendo na época do documentário mas tenho certeza de que quando vier a fazê-lo, Saramago e Pilar estarão comigo.
É filme pra ver no cinema e mais tarde comprar o DVD. Recomendo muito.
segunda-feira, novembro 15, 2010
Flores
Adoro mexer na terra.
Mas o quintal estava praticamente abandonado, entregue ao matagal que reinava absoluto e florido.
Ontem resolvi limpar tudo e tirei nada mais nada menos que oito sacos gigantes de lixo cheios de mato do quintal.
Mas antes de arrancá-los, colhi as flores dos dito cujos e fiz um vaso.
Olha que fofo: um vaso de flores de mato.
Mas o quintal estava praticamente abandonado, entregue ao matagal que reinava absoluto e florido.
Ontem resolvi limpar tudo e tirei nada mais nada menos que oito sacos gigantes de lixo cheios de mato do quintal.
Mas antes de arrancá-los, colhi as flores dos dito cujos e fiz um vaso.
Olha que fofo: um vaso de flores de mato.
quinta-feira, novembro 11, 2010
Breve intervalo para fofocar cos colegas.
Estou estudando, me preparando para disputar uma vaga de mestrado ano que vem. Já falei isso, vocês já sabem.
E nessa faina diária de manter o trabalho em dia sem descuidar dos estudos, o blog passa a ser cada vez mais negligenciado.
Visitar e comentar no blog dos amigos então, nem se fala.
Passei pelo blog da Aninha esses dias http://www.urbanamente.net/blog/ e vi que ela também está em apuros, queimando as pestanas em um trabalho, nas palavras dela, sério. Importante. Necessário. Trabalho esse que a manterá por um tempo bem longe da produção dos deliciosos posts da sua lavra. Infelizmente.
Pois bem.
Hoje, em meio à pesquisa diária, me deparo com um trecho que quero dedicar à Ana Paula e ao Claudio Luiz http://correioselado.blogs.sapo.pt/ e dizer aos dois que, embora nossos caminhos e objetos de estudo sejam díspares e independentes, às vezes nos cruzamos de forma perfeita e o entrelaçar das palavras confunde nossos interesses e idéias.
Veja:
"... Leone Battista Alberti, o arquiteto quatrocentista que considerou que sua arte formava, com a escultura e a pintura, um só todo e escreveu sobre elas - ou, melhor dizendo, sobre esse todo - como uma só arte. Os novos edifícios precisavam ser decorados, os antigos, restaurados, com figuras adicionais aqui e ali, e nas paredes cenas em cor, mais impressionantemente reais do que nunca. Como a maioria de seus colegas teóricos, Alberti era também um prático. São de sua autoria os planos que, com algumas alterações, foram executados por Bramante, Michelangelo, Maderno e Bernini para criar o mais grandioso monumento da moderna Roma, São Pedro. Esse empreendimento tinha a propósito de assinalar o "renascimento de Roma", em paralelo com o muito discutido renascimento do espírito ocidental. Homem de grande e eclético saber, Alberti expôs para os pintores as regras da perspectiva e para os homens de negócios as do cálculo e da contabilidade. O seu tratado sobre arquitetura, em latim, foi traduzido para o francês, italiano, espanhol e inglês. Vemos aqui, uma vez mais, o imenso benefício da imprensa."
Da Alvorada à Decadência
A História da Cultura Ocidental de 1500 aos nossos dias.
Jacques Barzun
Em itálico, tipo que a tradição informa ter sido inspirado na caligrafia de Petrarca. Se é verdade, não sei, mas de posse dessa informação passei a pensar nos manuscritos de Petrarca como impecáveis cadernos de normalista.
Cabou o recreio. Voltemos à leitura.
Quem sai aos seus...
Sabe aquele jogo de cartas que os personagens do filme Bastardos Inglórios jogam na taberna? Aquele que consiste em escrever o nome de um personagem numa carta e passar pro cara da direita que cola na própria testa e tenta adivinhar quem é? Poisentão...
A Fia tava jogando com os amigos e fizeram o favor de passar pra ela a carta escrito Ulisses.
Resultado: todo mundo adivinhou a sua e tava lá a Xu com a carta na testa, desolada.
A amiga resolve dar uma dica e diz: Ciclope.
A Xu não tem dúvidas: levanta num pulo, exultante e grita, vitoriosa: Wolwerineeeeeee!!!!!
Essa fia é minha. Não dou, não empresto, não vendo por dinheiro nenhum!
bejoteamo Xu!
A Fia tava jogando com os amigos e fizeram o favor de passar pra ela a carta escrito Ulisses.
Resultado: todo mundo adivinhou a sua e tava lá a Xu com a carta na testa, desolada.
A amiga resolve dar uma dica e diz: Ciclope.
A Xu não tem dúvidas: levanta num pulo, exultante e grita, vitoriosa: Wolwerineeeeeee!!!!!
Essa fia é minha. Não dou, não empresto, não vendo por dinheiro nenhum!
bejoteamo Xu!
Assinar:
Postagens (Atom)







